
O período de momo serve para muita gente cair na bebedeira e na folia. Aproveitando a ausência de algumas pessoas que esqueçem de seus afazeres nessa época para brincarem o carnaval, alguns complexos de cinema aproveitam para fazerem preços promocionais dos seus ingressos e atrair aqueles que preferem se resguardar dessa festa. E como sou uma dessas pessoas que prefere um bom filme a cair no compasso do frevo, tirei uma tarde para ir assistir ao tão comentado "O Caçador de Pipas" (The Kite Runner, EUA,2007), na qual é adaptado do homônimo livro do escritor afegão Khaled Hosseini e considerado um best seller, tendo vendido milhões de exemplares pelo mundo.
O tom épico no filme é plausível por se tratar de uma fábula humanista, onde acompanhamos o dia a dia do garoto Amir; Filho de um comerciante local de muitas posses monetárias.
A primeira parte do longa se passa no final dos anos setenta, e é onde será exposta as aventuras infanto-juvenis do personagem central ao lado do seu fiél companheiro.
É onde entram as magníficas sequências das brigas das pipas, e nos trás aquela doce sensação de nostalgia por uma brincadeira que encontra-se praticamente extinta nos dias atuais. Essas sequências servem para mostrar o quanto um dia o Afeganistão teve os seus dias de paz, antes que as tropas soviéticas cheguem ao país e façam o jovem garoto se refugiar com o seu pai nas terras do tio Sam.
O filme começa no ano dois mil, com o Amir já adulto e morando na Califórnia, recebendo um telefonema para que volte a sua terra natal, devido a doença do melhor amigo do seu pai. Amir automaticamente volta as suas lembranças de infância e descobrimos que ele traz consigo a amarga lembrança de ter testemunhado um abuso sexual com o filho do caseiro, seu melhor amigo.
Até aí o filme teria tudo para ser um belo retrato da vida humana, já que temos nomes de peso na produção: Sam Mendes (diretor de "Beleza Americana") atua como um dos produtores executivos e o respeitado romancista David Benioff, responsável pelo roteiro do filme que ainda conta com uma linda trilha sonora indicada ao Oscar (sua única indicação) composta pelo espanhol Alberto Iglesias e a excelente fotografia de Marc Foster que consegue capturar toda a essência da competição de pipas pelas crianças, assim como as empoeiradas estradas desérticas do Afeganistão.
Se não fosse pelo segunda metade do filme que abusa de clichês lacrimosos e nos força a termos uma visão mais humanista do Oriente Médio. Grande preocupação que o cinema norte-americano tem desde o onze de setembro. Mas mesmo assim ainda se torna um olhar muito raso, onde deveras teria chances de se ter um estudo mais aprofundado da cultura afeganistã.
No mais, referências a "Lawrence da Arábia" de David Lean estão expostas nas cenas em que são mostradas as paisagens desérticas do Afeganistão e a outros filmes de aventura como aqueles dos anos oitenta, também serviram para serem homenageados sutilmente.
Mas mesmo assim, o filme não consegue empolgar e me fica a pergunta de o por que esse livro ser um dos mais vendidos do mundo atualmente. Não querendo comparar um pelo outro, até porque não cheguei a ler o livro, mas quem leu diz que o filme está bem adaptado. E sim, pelo fato de se tratar de uma estória que já nasceu para ser levada aos cinemas e ter aquele gosto enjoado de Oscar.
Cotação: Fraco

4 comentários:
Com um olhar bem menos crítico, observo que O Caçador de Pipas enquanto versão cinematográfica realmente não traz em si qualquer elemento inovador. Alí estão apenas retratadas as páginas do livro homônimo, de uma forma bem fiel - o que já conta vários pontos positivos, pois nada pior do que ver uma narrativa totalmente deturpada e pensar: O que é isso?
O que fica legal no filme e perfeito no livro, é a sua mensagem sobre o poder de uma amizade e a confiança que depositamos nas pessoas.
Como esses são valores indispensáveis à condição humana, gostei muito de passar algum tempo com os olhos vidrados na tela do cinema. Recomendo o mesmo!
sua iniciativa é legar para ampliar os conhecimentos alheios
Achei o filme fraco, com cenas desnecessárias e muita coisa sem amarração, principalmente na segunda parte, quando Amir está em Cabul. Senti que as cenas apenas se sucederam sem vínculo...meio que atropeladas.
Senti falta de algo no filme.
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