quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Viagem à Loucura


Muitos cineastas são lembrados por aquele filme que se tornou um ícone na sua carreira, sendo ela uma obra-prima ou não. No caso de Martin Scorcese, o seu filme síntese, é sobre um ex-combatente do Vietnã. Um sujeito solitário e entediado com sua vida monótona, que passas as suas noites de insônia trabalhando como taxista.
"Taxi Driver" (Taxi Driver, EUA, 1976) é o ápice na carreira de Scorcese. Pode até não ser o melhor ou omais bem acabado filme do diretor nova-iorquino, mas é com certeza o filme que deu uma larga extensão em sua carreira.
Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, "Taxi Driver" possui elementos de um cinema inovador. Definido pelo próprio diretor como uma mistura dos filmes de Godard com os de John Huston, Scorcese faz dessa sua obra uma crítica urbana com uma excelente narrativa social.
Travis Bickle (Robert De Niro) é o personagem em questão. Noite após noite, Travis vagueia com seu táxi pelos guetos de Nova York, cheios de prostitutas, negros, cafetões, drogados e assaltantes. Ao dia, Travis perambula como um zumbi por cinemas pornôs ou então vê o tempo passar confinado em seu apartamento.
Sua vida enfadonha começa a criar ares de revolta, quando ele conhece Betsy (Cybill Shepherd), uma funcionária de uma campanha para a eleição à presidência de um famoso senador. A partir daí, Travis começa com uma certa paixão pela moça, que faz os seus flertes estacionando seu táxi em frente ao comitê de onde Betsy trabalha e dando longos olhares de paquera.
Mas então, entra em cena a prostituta Iris Steensma (Jodie Foster) uma garota de doze anos, que vive a soberânia de Sport (Harvey Keitel), seu namorado e cafetão. Esses dois cruzamentos com diferentes figuras femininas, irão complicar ainda mais a mente do ex-soldado. O resultado final, é um banho de sangue de proporções dantescas.
Em um opinião muito pessoal, dificilmente Martin Scorcese atingiu tanto talento como fez em "Taxi Driver". Um filme bastante tenso e violento, que continua a cada dia mais atual do que quando feito em sua época. Os longos diálogos mostrados em cenas, só servem para sustentar ainda mais o clima de desprezo e angústia sentido pelo personagem de Travis Bickle. A bela fotografia com cores saturadas e muitas imagens de cenas noturnas com uma bela trilha de jazz de Bernard Herrmann, contribuem em muito para a trama. Poucos cineastas foram capazes de envolver tanto o público como Scorcese.
Cotação: Ótimo
P.S: Não vou comentar sobre o Oscar, pois só conseguí assistir a três dos filmes que estavam na lista dos indicados. Foram eles: "Sweeney Todd" (Crítica já postada), "Piaf", Ratatouille" e "O Caçador de Pipas" (Também já com a crítica postada). Dos indicados ao prêmio de melhor filme, ainda não ví nenhum. Mas, logicamente, quero ver "Onde Os Fracos Não Tem Vez" o mais rápido possível.

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