
Maldito. Esse foi o termo utilizado para descrever o filme "A Tortura do Medo"(Peeping Tom, Inglaterra,1960) na época do seu lançamento. A obra chocou os críticos e a socieade inglesa da época, além de colocar um ponto final na carreira do diretor Michael Powell.
Tão violenta foi a campanha feita contra esse filme que o estúdio chegou a tira-lo de circulação, fazendo o mesmo cair no esquecimento. Mas nem tudo estava perdido.
As poucas pessoas que tiveram acesso a algumas sessões privadas desta magnífica obra do suspense, fizeram de tudo para que o filme não ficasse esqueçido. Uma delas foi Martin Scorcese que chegou a adquirir uma cópia do filme e o restaurou, colocando-o em circulção pelo mercado de vídeo.
Muita gente se pergunta o motivo de tanta revoltar para com esse filme. A resposta foi analisada num excelente documentário feito pela Tv inglesa, onde a obra é analisada minuciosamente por estudiosos e críticos de cinema que muito tempo depois, se redimiram e viram o quanto estavam errado. A maior autoridade no filme, é a pesquisadora britânica Laura Mulvey, que formulou uma teoria bastante lúcida.
Para Mulvey, o filme foi o primeiro a quebrar a barreira existente entre os filmes e a platéia: os espectadores são testemunhas, verdadeiros voyeurs daquilo que está sendo projetado na tela. Todos alí espiando a vida alheia das pessoas da trama ainda que de uma forma não autorizada. E ainda mais, fingindo que não estamos fazendo nada de errado.
Isso explica de uma maneira inteligente, o ódio repulsivo contra o filme. Talvez também, pelo fato de Michael Powell forçar o espectador a se identificar com um psicopata. Pois o que o personagem central da trama faz, é observar a vida dos outros e captar tudo com sua câmera. É a mesma coisa que o cinesta faz e o público paga pra ver.
Mark Lewis (Carl Bohem) é um jovem e solitário fotógrafo que trabalha como assistente de câmera para um estúdio de cinema e nas horas vagas, faz um extra fotografando garotas semi-nuas para revistas masculinas. Prazeroso isso? Não para Mark. O seu maior prazer no entanto, é assassinar mulheres e fima-las no momento em que morrem, para depois ficar vendo e revendo essas imagens em seu apartamento e sentir um certo prazer por isso.
Mas o que faria esse personagem agir desse maneira? A pergunta é logo respondida ainda nos primeiros quinze minutos de projeção.
Mark quando criança, servia de cobaia para os experimentos de seu pai que era um famoso cientista e que estava desenvolvendo um estudo sobre o medo. O cientista submetia o filho a brincadeiras de dar sustos, como jogar largatixas sobre o garoto enquanto ele dormia e filmava tudo. A mais terrível, foi fazer o menino encarar o cadáver da própria mãe.
Mark cresceu tendo sua vida observada pelas lentes das câmeras. Por isso é normal para ele agir desse maneira, sempre empunhando uma câmera que ele diz ser para um misterioso documentário. O fato dele cometer esses assassinatos, é o facínio dele criado pelo medo. Pois nos momentos em que suas vítimas sabem que serão mortas, esbanjam reações de histéria total e tudo é captado pelas lentes de Mark. Até a arma utilizada por Mark, é a sua própria câmera que possui um punhal embutido numa das hastes do tripê. É como se esse objeto fosse uma extenção do seu pênis ou até mesmo aquele brinquedo que ele nunca teve na infância.
Uma das personagens da trama é a sua vizinha Helen (Anna Massey), moça solteira que mora com a mãe cega e que parece conhecer o mistério que cerca a vida de Mark. Helen é a única que tenta uma aproximação a mais com Mark e chega até a tomar conhecimento do que Mark passava na infância. Ela será a espectadora das bizarras imagens feitas pelo pai de Mark e também irá tomar conhecimento do seu estranho fetiche.
O filme foi lançado recentemente em dvd no Brasil. Pode ser achado pelo selo da Silver Screen Collection a um custo de R$ 42,90. Eu tenho uma cópia importada que conseguí recentemente e confesso que é impossível assistir a esse filme uma única vez. Tamanho é o seu magnetismo e não é a toa que a revista Empire o considere um dos mais assustadore de todos os tempos. Mesmo que hoje em dia não assuste a mais ninguém.
Nem Alfred Hitchcock foi tão ousado.
Cotação: Ótimo

Um comentário:
é..por melhor que seja, não faz mto meu estilo de filme nao, hehehhe.
abração
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