
Tramas sobre sequestros tem se tornado algo muito abordado nos últimos anos pelo cinema. Mas são raros aquelas obras que conseguiram ser eficientes nas suas tramas. A falta de originalidade tem sido o mais grave dos problemas.
O cineasta franco-holandês George Sluizer conseguiu ser original dentro desse gênero tão batido, criando um thriller psicológico completamente original, perturbador, sufocante, assustador e magnético. Trata-se do cultuado "O Silêncio do Lago" (Spoorloos, França/Holanda, 1988).
Baseado em um romance intitulado "O Ovo Dourado", a obra faz uma investigação dentro dos desejos de dois homens completamente distintos entre si, mas ligados pela mesma tragédia. Simples? Não, não! Bastante sofisticado e engana a todos nós. Pois estamos diante daquele típico caso em que achamos que vai ser de um jeito, quando na verdade será de outro.
O desenrolar da trama, acompanhamos Rex (Gene Bervoets), um escritor holandês que teve a sua namorada Saskia (Johanna ter Steege) tida como desaparecida. A moça sumiu quando entrou numa loja de conveniência a beira da estrada, para comprar um refrigerante.
Tudo é surpreendido, quando o diretor muda o foco da trama de uma maneira bastante radical. Na narrativa clássica, o estilo seria aquele de "quem é o criminoso?". Mas isso é logo quebrado quando desde o início já somos apresentados ao sequestrador, um pacato e sinistro professor de química (Bernard-Pierre Donnadieu). Então, ao invés de simplesmente acompanhar a investigação efetuada por Rex, Sluizer põe o espectador numa posição incômoda e incomum. De um lado, sabemos bem mais do que Rex, já que conhecemos a identidade do criminoso. E quando chegamos ao final do filme e temos a resposta à pergunta (o que realmente aconteceu com Saskia?), é simplesmente inesquecível.
Lembro que ví esse filme em noventa em cinco numa cópia ainda em vhs. E até hoje essa obra-prima permanece como um produto insuperável em todos os sentindos.
Cotação: Excelente.

