
É difícil no mundo atual, alguém que não tenha visto ou pelo menos ter ouvido falar em Woody Allen. Aquele sujeito baixinho, de cabelos alaranjados com grossos óculos pretos...que quase sempre atua em seus próprios filmes, fazendo o seu alter-ego.
Um sujeito cínico, hipocondríaco e mais emotivo do que emocional. Mas acima de tudo, um romântico assumido.
Por isso mesmo, gerou "A Rosa Púrpura do Cairo" (The Purple Rose of Cairo,EUA,1985). Que na minha opinião, ao lado de "Cantando na Chuva" e "Cinema Paradiso", é uma das mais belas e autêntica declaração de amor ao cinema.
O filme recebeu uma indicação ao Oscar de melhor roteiro e logo caiu no gosto popular, por falar da paixão entre fãs de cinema, para com os filmes projetados na telona. Pois o que vai se desenrolar na trama, é a paixão do protagonista de um filme por uma espectadora que pula da tela para conhecê-la.
Cecília (Mia Farrow, esposa de Allen na época), é uma garçonete da Nova Jersey dos anos trinta. Uma mulher de vida monótona, infeliz no seu casamento com o bruto Monk (Danny Aiello). Cecília passa os dias sonhando acordada no trabalho, com os filmes que viu no cinema de bairro e vez por outra apanha do marido. Sua fuga para essa dura realidade, é o próprio cinema em sí. Algo que na realidade não é muito diferente. Pois, quantas vezes não nos escondemos naquela sala escura para usarmos como uma válvula de escape dos problemas diários?
Cecília é apaixonada por filmes de amor, algo na qual ela sonha em ver na realidade, um romantismo lírico como o dos filmes de sua época. E é isso que vai acontecer com Cecília e o fugido explorador do filme Tom Baxter (Jeff Daniels).
"A Rosa Púrpura do Cairo" funciona mais do que uma comédia, é uma fábula maravilhosa, algo como um conto de fadas de Hollywood. O que ajuda a tudo isso, é que Woody Allen foge daqueles temas mais intelectuais de suas tramas, fazendo o filme deslizar com leveza diante dos nossos olhos, tornado-o num passatempo para todos aqueles que gostam de comédias e principalmente, aos fãs da sétima arte.
Um filme que enche a boca de sorriso, os olhos de lágrimas e o coração de esperança.
Cotação: Excelente

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