sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Um Elefante Que Incomoda Muita Gente


Estranho não só pelo título. Mesmo tendo levado a Palma de Ouro em Cannes em dois mil e três, o mesmo não consegue escapar dessa estígma de um filme lento e aparentemente vazio.
O universo da juventude norte-americana tratada por Gus Van Sant, é encarregado dessa estranha sensação dentro de um filme com apenas oitenta minutos, mas que parece ocupar quase quatro horas de projeção. A vida desses jovens é tão vazia e vagarosa quanto o filme, que é talvez um dos mais singulares trabalhos cinematográficos feito pela indústria do cinema.
"Elefante" (Elephant, EUA, 2003), é um retrato vivo da obsessão dos jovens pela violência. Diga-se de passagem que o argumento do filme foi inspirado no massacre da escola Columbine em abril de mil novescentos e noventa e nove. Onde os jovens Erick Harris e Dyla Klebold, entraram na instituição de ensino e saíram atirando contra professores e alunos.
O mesmo tema serviu também como base para o ótimo documentário "Tiros em Columbine", de Michael Moore.
O tema aqui, é tratado pelo diretor como uma releitura do fato. Não seguindo de fato a risca de como tudo aconteceu ou dando os nomes reais aos personagens do filme, nem a escola e muito menos a cidade onde realmente tudo aconteceu.
A intenção de Gus Van Sant, era de mostrar que o que aconteceu em Columbine, poderia acontecer em qualquer outro local.
Em quase todo o filme, somos meros espectadores que observamos de perto o dia a dia de uma escola comum. Onde todos os alunos assistem aulas, entram e saem de salas, passeam por corredores, conversam um com os outros, namoram, marcam encontro...Enfim, um verdadeiro tour "colegial" por dentro dos sentimentos de cada um. Tudo muito bem acompanhado pelo excelente trabalho de Stand-Cam que em muitos momentos, nos faz lembrar de "O Iluminado" de Kubrick.
Algumas cenas são repetidas no filme em ângulos diferentes a cada vez. O que faz termos outras pespectivas de cada personagem.
O filme atira para todos os lados, fazendo com quê não consiga vizualizar um alvo central e encaixar a trama de uma forma redonda. Mas mesmo assim, possui uma estranha emoção que de um maneira muito particular (pelo menos pra mim), faça com que temos a sensação de que estamos sendo atinjidos por um peso de dez toneladas. Algo que talvez faça justiça ao nome do animal que dá título ao filme.
Cotação: Bom

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