terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Universo Bizarro


Se há um cineasta mais controverso em Hollywood que filma esquisitícies aparentemente sem nexo na narrativa, seu nome é David Lynch.
Mais do que um diretor de cinema, Lynch é um artista que se utiliza da sétima arte como um canal para sua expressão. Nada mais do que se esperar de um jovem graduado na Acadêmia de Belas Artes da Pensilvânia, onde aprendeu a pintar, fotografar, esculpir e desenhar.

Sua aproximação com o cinema se deu numa experiência que teve quando, ao observar um de seus quadros, ouvi o vento soprar, e era como se a folhagem na pintura estivesse se movendo. Percebendo a maior limitação das artes plásticas (a imobilidade), Lynch decidiu incluir movimento em seus quadros, e fez seu primeiro curta de animação, Six Figures Getting Sick (1966), onde seis cabeças esculpidas por ele aparecem vomitando 6 vezes seguidas. Ele ainda viria a fazer mais dois curtas, The Alphabet (1968) e The Grandmother (1970), antes de se mudar para Los Angeles.

Seu primeiro longa veio em mil novescentos e setenta e sete e se chamava 'Eraserhead'. Três anos depois, viria a realizar o clássico 'O Homem Elefante'. E assim, conquistando sua primeira indicação para o Oscar de melhor diretor.

Instantaneamente, Lynch chamou a atenção dos críticos, que o passaram a ver como um dos mais promissores nome do cinema.
Uma de suas obras mais controversas e pertubadoras, é o estranho suspense 'Veludo Azul'(Blue Velver, EUA, 1986). No filme, somos levados a uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos, onde seremos apresentados ao jovem Jeffrey (Kyle MacLachlan), que volta a sua cidade natal após passar um tempo fora. O retorno de Jeffrey é causado pela hospitalização do seu pai, que teve um estranho ataque de dores enquanto aguava o jardim da sua casa.

Numa de suas caminhadas pelas florestas onde costumava brincar quando criança, Jeffrey descobre uma orelha humana jogada no terreno. O jovem logo desconfia de que algo de errado aconteceu e leva o caso a polícia.
Jeffrey logo fica sabendo por Sandy (Laura Dern), filha do xerife Williams, que existe algo de misterioso envlovendo Dorothy Vallens (Isabella Rossellini), uma pertubada cantora de night club local. O jovem rapaz então decide bancar uma de abelhudo e acaba por descobrir que Dorothy Vallens teve seu filho e seu marido sequestrados por Frank (Dennis Hopper numa assustadora perfomance), um sádico que a mantem sobre vigilância constante e que na qual costuma a espanca-la e abusar dela sexualmente.
Jeffrey logo é seduzido por Dorothy, que numa de suas visitas a seu apartamento, acaba topando com Frank que o faz mergulhar num univeso de perversidade e depravação que parece não ter mais fim. Tudo isso focado brilhantemente pelas lentes de Lynch que faz de "Veludo Azul" um belo e perturbador sonho de imagens e sons indescritíveis. Um verdadeiro mergulho nas entranhas de uma decadente sociedade norte-americana, onde nem tudo é o que parece ser. Algo constantemente apresentado em suas obras.
A bela trilha sonora de Angelo Badalamenti ajuda a construir o clima surrealista da trama, onde não faltam referências a aquelas tramas dos anos cinquenta, principalmente de "A Caldeira do Diabo", que também se passa numa aparentemente pacata cidade interiorana onde muitas supresas são reveladas.
David Lynch ao meu ver, gosta muito de colocar em suas tramas, cidades afastadas das grandes civilizações. Algo que sempre nos dá aquela sensação de isolamento e opressão, algo como um pesadelo da qual queremos acordar e não conseguimos. Fato que ele viria a repetir em "Twin Peaks".
Cotação: Ótimo.

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