
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Amargo Pesadelo

Um Lixo Delicioso

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Viagem à Loucura

sábado, 23 de fevereiro de 2008
Vida de Ilusão

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Um Elefante Que Incomoda Muita Gente

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Está Chegando a Hora!!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Pérola Americana

É difícil no mundo atual, alguém que não tenha visto ou pelo menos ter ouvido falar em Woody Allen. Aquele sujeito baixinho, de cabelos alaranjados com grossos óculos pretos...que quase sempre atua em seus próprios filmes, fazendo o seu alter-ego.
Um sujeito cínico, hipocondríaco e mais emotivo do que emocional. Mas acima de tudo, um romântico assumido.
Por isso mesmo, gerou "A Rosa Púrpura do Cairo" (The Purple Rose of Cairo,EUA,1985). Que na minha opinião, ao lado de "Cantando na Chuva" e "Cinema Paradiso", é uma das mais belas e autêntica declaração de amor ao cinema.
O filme recebeu uma indicação ao Oscar de melhor roteiro e logo caiu no gosto popular, por falar da paixão entre fãs de cinema, para com os filmes projetados na telona. Pois o que vai se desenrolar na trama, é a paixão do protagonista de um filme por uma espectadora que pula da tela para conhecê-la.
Cecília (Mia Farrow, esposa de Allen na época), é uma garçonete da Nova Jersey dos anos trinta. Uma mulher de vida monótona, infeliz no seu casamento com o bruto Monk (Danny Aiello). Cecília passa os dias sonhando acordada no trabalho, com os filmes que viu no cinema de bairro e vez por outra apanha do marido. Sua fuga para essa dura realidade, é o próprio cinema em sí. Algo que na realidade não é muito diferente. Pois, quantas vezes não nos escondemos naquela sala escura para usarmos como uma válvula de escape dos problemas diários?
Cecília é apaixonada por filmes de amor, algo na qual ela sonha em ver na realidade, um romantismo lírico como o dos filmes de sua época. E é isso que vai acontecer com Cecília e o fugido explorador do filme Tom Baxter (Jeff Daniels).
"A Rosa Púrpura do Cairo" funciona mais do que uma comédia, é uma fábula maravilhosa, algo como um conto de fadas de Hollywood. O que ajuda a tudo isso, é que Woody Allen foge daqueles temas mais intelectuais de suas tramas, fazendo o filme deslizar com leveza diante dos nossos olhos, tornado-o num passatempo para todos aqueles que gostam de comédias e principalmente, aos fãs da sétima arte.
Um filme que enche a boca de sorriso, os olhos de lágrimas e o coração de esperança.
Cotação: Excelente
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Universo Bizarro

Mais do que um diretor de cinema, Lynch é um artista que se utiliza da sétima arte como um canal para sua expressão. Nada mais do que se esperar de um jovem graduado na Acadêmia de Belas Artes da Pensilvânia, onde aprendeu a pintar, fotografar, esculpir e desenhar.
Sua aproximação com o cinema se deu numa experiência que teve quando, ao observar um de seus quadros, ouvi o vento soprar, e era como se a folhagem na pintura estivesse se movendo. Percebendo a maior limitação das artes plásticas (a imobilidade), Lynch decidiu incluir movimento em seus quadros, e fez seu primeiro curta de animação, Six Figures Getting Sick (1966), onde seis cabeças esculpidas por ele aparecem vomitando 6 vezes seguidas. Ele ainda viria a fazer mais dois curtas, The Alphabet (1968) e The Grandmother (1970), antes de se mudar para Los Angeles.
Seu primeiro longa veio em mil novescentos e setenta e sete e se chamava 'Eraserhead'. Três anos depois, viria a realizar o clássico 'O Homem Elefante'. E assim, conquistando sua primeira indicação para o Oscar de melhor diretor.
Instantaneamente, Lynch chamou a atenção dos críticos, que o passaram a ver como um dos mais promissores nome do cinema.
Uma de suas obras mais controversas e pertubadoras, é o estranho suspense 'Veludo Azul'(Blue Velver, EUA, 1986). No filme, somos levados a uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos, onde seremos apresentados ao jovem Jeffrey (Kyle MacLachlan), que volta a sua cidade natal após passar um tempo fora. O retorno de Jeffrey é causado pela hospitalização do seu pai, que teve um estranho ataque de dores enquanto aguava o jardim da sua casa.
Numa de suas caminhadas pelas florestas onde costumava brincar quando criança, Jeffrey descobre uma orelha humana jogada no terreno. O jovem logo desconfia de que algo de errado aconteceu e leva o caso a polícia.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
O Urso de Ouro é Nosso!!
Vitória para o Brasil após dez anos sem levar nenhum prêmio no Festival de Cinema de Berlim, ou a famosa Berlinale como é conhecido.O último foi para "Central do Brasil" de Walter Salles em mil novescento e noventa e oito.
O reconhecimento enxe de orgulho os brasileiros que fizeram filas gigantes nas portas dos cinemas ou até mesmo comprou aquele dvd pirata para conferir a obra de José Padilha no ano passado. O que acarretou numa das maiores bilheterias do cinema nacional.
A premiação causou surpresa pela recepção negativa que o filme recebeu por parte de alumas mídias internacionais como a revista "Variety" que chamou a obra de "facista".
O importante é que "Tropa de Elite" desbancou filmes como "Sangue Negro" de P.T. Anderson que recebeu oito indicações ao Oscar desse ano.
"É difícil expressar sentimentos em qualquer língua. Costa-Gavras é um herói para todos na América Latina, por todos os filmes que fez", disse o diretor brasileiro ao receber o prêmio das mãos do presidente do júri, o diretor franco-grego Constantin Costa-Gavras.
Na sexta-feira dia 15/02, o diretor havia debatido contra ás críticas internacionas afirmando que, não é pelo fato de gostar ou não de "Tropa de Elite", e sim pela polêmica que o filme tenha causado.
Look Out!

domingo, 17 de fevereiro de 2008
Voyuerismo Assassino

Maldito. Esse foi o termo utilizado para descrever o filme "A Tortura do Medo"(Peeping Tom, Inglaterra,1960) na época do seu lançamento. A obra chocou os críticos e a socieade inglesa da época, além de colocar um ponto final na carreira do diretor Michael Powell.
Tão violenta foi a campanha feita contra esse filme que o estúdio chegou a tira-lo de circulação, fazendo o mesmo cair no esquecimento. Mas nem tudo estava perdido.
As poucas pessoas que tiveram acesso a algumas sessões privadas desta magnífica obra do suspense, fizeram de tudo para que o filme não ficasse esqueçido. Uma delas foi Martin Scorcese que chegou a adquirir uma cópia do filme e o restaurou, colocando-o em circulção pelo mercado de vídeo.
Muita gente se pergunta o motivo de tanta revoltar para com esse filme. A resposta foi analisada num excelente documentário feito pela Tv inglesa, onde a obra é analisada minuciosamente por estudiosos e críticos de cinema que muito tempo depois, se redimiram e viram o quanto estavam errado. A maior autoridade no filme, é a pesquisadora britânica Laura Mulvey, que formulou uma teoria bastante lúcida.
Para Mulvey, o filme foi o primeiro a quebrar a barreira existente entre os filmes e a platéia: os espectadores são testemunhas, verdadeiros voyeurs daquilo que está sendo projetado na tela. Todos alí espiando a vida alheia das pessoas da trama ainda que de uma forma não autorizada. E ainda mais, fingindo que não estamos fazendo nada de errado.
Isso explica de uma maneira inteligente, o ódio repulsivo contra o filme. Talvez também, pelo fato de Michael Powell forçar o espectador a se identificar com um psicopata. Pois o que o personagem central da trama faz, é observar a vida dos outros e captar tudo com sua câmera. É a mesma coisa que o cinesta faz e o público paga pra ver.
Mark Lewis (Carl Bohem) é um jovem e solitário fotógrafo que trabalha como assistente de câmera para um estúdio de cinema e nas horas vagas, faz um extra fotografando garotas semi-nuas para revistas masculinas. Prazeroso isso? Não para Mark. O seu maior prazer no entanto, é assassinar mulheres e fima-las no momento em que morrem, para depois ficar vendo e revendo essas imagens em seu apartamento e sentir um certo prazer por isso.
Mas o que faria esse personagem agir desse maneira? A pergunta é logo respondida ainda nos primeiros quinze minutos de projeção.
Mark quando criança, servia de cobaia para os experimentos de seu pai que era um famoso cientista e que estava desenvolvendo um estudo sobre o medo. O cientista submetia o filho a brincadeiras de dar sustos, como jogar largatixas sobre o garoto enquanto ele dormia e filmava tudo. A mais terrível, foi fazer o menino encarar o cadáver da própria mãe.
Mark cresceu tendo sua vida observada pelas lentes das câmeras. Por isso é normal para ele agir desse maneira, sempre empunhando uma câmera que ele diz ser para um misterioso documentário. O fato dele cometer esses assassinatos, é o facínio dele criado pelo medo. Pois nos momentos em que suas vítimas sabem que serão mortas, esbanjam reações de histéria total e tudo é captado pelas lentes de Mark. Até a arma utilizada por Mark, é a sua própria câmera que possui um punhal embutido numa das hastes do tripê. É como se esse objeto fosse uma extenção do seu pênis ou até mesmo aquele brinquedo que ele nunca teve na infância.
Uma das personagens da trama é a sua vizinha Helen (Anna Massey), moça solteira que mora com a mãe cega e que parece conhecer o mistério que cerca a vida de Mark. Helen é a única que tenta uma aproximação a mais com Mark e chega até a tomar conhecimento do que Mark passava na infância. Ela será a espectadora das bizarras imagens feitas pelo pai de Mark e também irá tomar conhecimento do seu estranho fetiche.
O filme foi lançado recentemente em dvd no Brasil. Pode ser achado pelo selo da Silver Screen Collection a um custo de R$ 42,90. Eu tenho uma cópia importada que conseguí recentemente e confesso que é impossível assistir a esse filme uma única vez. Tamanho é o seu magnetismo e não é a toa que a revista Empire o considere um dos mais assustadore de todos os tempos. Mesmo que hoje em dia não assuste a mais ninguém.
Nem Alfred Hitchcock foi tão ousado.
Cotação: Ótimo
Ópera Sangrenta
Tim Burton é um nome que eu guardo na memória desde o ano de mil novescentos e oitenta e nove. Ano em que o primeiro "Batman" foi lançado nos cinemas, fazendo sugir a Batmania.Lembro que eu fui infectado por essa coqueluche daquela época e tinha tudo o que era merchandaising do filme. De adesivos até a uma concorrido disco de vinil com a trilha sonora do filme composta por Prince, que foi prometida de presente pelos meus pais, caso eu decorasse toda a tabuada em um final de semana inteiro.
Decorada a tabuada, conquistei de prêmio aquele bolachão preto que tinha estampado na capa aquele morcegão com asas abertas sob um fundo amarelo ouro. Na contra-capa, tinha-se abaixo a ficha técnica do filme e o nome do diretor estava bem destacado.
Até aquele momento, o único Tim que eu conhecia, era Tim Maia. Mas logo guardei aquele nome, pois sabia que esse diretor teria uma carreira promissora cheia de cartas na manga.
Por um lado eu estava um pouco enganado. Tim Burton teve uma carreira de altos e baixos, mais baixos do que altos, com obras muito fracas como "Peixe Grande" e "A Fantástica Fábrica de Chocolate".
Mas heis que agora ele volta com aquilo que o fez ficar conhecido como um diretor gótico, onde sempre se deixou levar pela paixão do tom macabro em suas obras (A Noiva Cadáver, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça). "Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet" (Sweeney Todd - The Demon Barber of Fleet Street, EUA, 2007) é ao meu ver uma resposta feroz e ousada de que Tim Burton sabe o que quer, mesmo fazendo um trabalho por encomenda.
Um filme sagrento e maravilhosamente estranho para ser feito por um grande estúdio, já que ele é nada mais nada menos do que um grande espetáculo "gran-guinol", famosos estilo de ópera que mistura sangue e humor.
O diretor aqui se esforça muito e consegue contar com esmero a estória de Benjamin Barker, vivido por Johnyy Deep em sua sexta parceria com Burton. Benjamin é um típico barbeiro inglês que vive com sua esposa e filha. A beleza da sua esposa, desperta o interesse do juiz Turpin (Alan Rickman em perfeita interpretação). Que faz com que o pobre barbeiro seja preso e enviado a Austrália, tudo para que o juíz possa se aproveitar da esposa e filha de Benjamin.
Quinze anos depois, Benjamin Barker retorna a Londres com a identidade de Sweeney Todd. Seu retorno traz consigo o gosto voraz da vigança por aquele que destruiu a sua vida.
Chegando a sua antiga casa, Sweeney (Benjamin) se depara com o local que agora serve como a loja de tortas da Sra. Lovet (Helena Boham Carter). Suas tortas são conhecidas como as piores da cidade. Mas essa personagem vai servir de ligação entre Sweeney e o seu triste passado. Pois a Sra. Lovett é a única que sabe do paradeiro da sua esposa e filha Johanna, que agora vive sob a tutela do juíz Tupin.
Sweeney então decide reabrir seu salão para servir como matadouro (no melhor sentido da palavra) para suas vítimas.
Depois de um desfio em praça pública com o melhor barbeiro do local, o italiano Adolfo Pirelli (Sacha Baron Cohen em rápida e magistral aparição), Sweeney logo ganha a fama de todos. Inclusive a do empregado do juíz, na qual sem saber faz com quê o seu patrão esteja caindo nas garras daquele que lhe jurou a morte.
Johanna é o retrato vivo da inocência perdida, já que são apresentados alguns momentos em que ela é observada pelo juíz através de um buraco feito na parede do seu quarto. O que dá aquela idéia de que ela sofria abusos de pedofília por parte de juíz e na qual também o mesmo decide se casar com a frágil garota. Fazendo assim, surgir um triângulo amoroso entre o juíz e o marinheiro Anthony (Jamie Campbell Bower), que foi responsável pelo resgate de Sweeney no mar após sua misteriosa fuga da prisão.
O que vai se denrolar a partir daí, é um festival de violência gráfica que pode afastar as tíetes que vão apenas conferir um pálido e assustador Johnny Depp soltar a voz nas músicas compostas por Stephen Sondheim. E ele consegue muito bem, mesmo que sua voz não esteja a altura exigida pelos grandes palcos da Broadway, onde o musical foi encenado pela primeira vez no ano de mil novescentos e setenta e nove.
Mas quem já teve a oportunidade de ler algo sobre essa famosa lenda urbana inglesa ou até mesmo ter assistido a montagem desse musical em alguma parte do mundo, sabe que o filme fala de uma sangrenta estória de amor. Isso mesmo! Toda essa violência que enxarca a tela com sangue é uma linda estória de amor e vingança de um personagem que vive sendo assombrado por um passado amargo. E quem se beneficia disso tudo é a Sra. Lovett, que entra como cúmplice dos assassinatos cometidos pelo barbeiro serial killer para ganhar fama com suas tortas. O que ambos fazem é utilizar a carne humana dos cadáveres para usarem como recheio para as tortas que logo virão a ser a sensação de Londres.
Além de toda esse banho de sangue, outra coisa também pode vir a incomodar algumas pessoas. Noventa por cento dos diálogos do filme são cantados. Mas isso não faz de modo algum com que o filme torne-se chato ou enfadonho. Mesmo que não tenha aquele números musicais memoráveis e músicas sútis quase que faladas, isso pode afastar aqueles que detestam ver atores cantarolando em cena.
Mas quem conseguir se segurar um pouquinho, verá que estará diante de um produto cinematográfico perto de uma obra-prima memorável. Vale ressaltar que a direção de arte criada pelo italiano Dante Ferreti (colaborador de Fellini por muitos anos e responsável também pela direção de arte de "Gangues de Nova York), cria uma Londres do século dezenove escura e nublada. Onde nos dar a impressão de que em qualquer esquina ou beco sairá um vampiro ou até mesmo um lobisomem. Os figurinos de Collen Atwood ajudam a compor o clima de decadência em grande estilo, junto com a fotografia de Emmanuel Lubezk que cria excelentes contrastes entre o claro e o escuro, nos dando a impressão de um pintura.
Os arranjos musicais feitos por Jonathan Tunick(parceiro de Sonhein de muitos anos), ajuda a dar aquela beleza musical presente nas principáis óperas, com lindos arranjos de cordas.
Enfim, todo esse background serve para abrilhantar ainda mais esse visceral banho de sangue operístico. E assim como aquele disco, que era fruto de uma obra desse gênial diretor, que ganhei como prêmio naquele final de semana do ano de oitenta e nove...Me sinto mais uma vez premiado com essa outra obra. Bravo, Tim Burton!
Cotação: Ótimo
Pipas Rasgadas

