segunda-feira, 7 de abril de 2008

Amargo Pesadelo


Tramas sobre sequestros tem se tornado algo muito abordado nos últimos anos pelo cinema. Mas são raros aquelas obras que conseguiram ser eficientes nas suas tramas. A falta de originalidade tem sido o mais grave dos problemas.
O cineasta franco-holandês George Sluizer conseguiu ser original dentro desse gênero tão batido, criando um thriller psicológico completamente original, perturbador, sufocante, assustador e magnético. Trata-se do cultuado "O Silêncio do Lago" (Spoorloos, França/Holanda, 1988).
Baseado em um romance intitulado "O Ovo Dourado", a obra faz uma investigação dentro dos desejos de dois homens completamente distintos entre si, mas ligados pela mesma tragédia. Simples? Não, não! Bastante sofisticado e engana a todos nós. Pois estamos diante daquele típico caso em que achamos que vai ser de um jeito, quando na verdade será de outro.
O desenrolar da trama, acompanhamos Rex (Gene Bervoets), um escritor holandês que teve a sua namorada Saskia (Johanna ter Steege) tida como desaparecida. A moça sumiu quando entrou numa loja de conveniência a beira da estrada, para comprar um refrigerante.
Tudo é surpreendido, quando o diretor muda o foco da trama de uma maneira bastante radical. Na narrativa clássica, o estilo seria aquele de "quem é o criminoso?". Mas isso é logo quebrado quando desde o início já somos apresentados ao sequestrador, um pacato e sinistro professor de química (Bernard-Pierre Donnadieu). Então, ao invés de simplesmente acompanhar a investigação efetuada por Rex, Sluizer põe o espectador numa posição incômoda e incomum. De um lado, sabemos bem mais do que Rex, já que conhecemos a identidade do criminoso. E quando chegamos ao final do filme e temos a resposta à pergunta (o que realmente aconteceu com Saskia?), é simplesmente inesquecível.
Lembro que ví esse filme em noventa em cinco numa cópia ainda em vhs. E até hoje essa obra-prima permanece como um produto insuperável em todos os sentindos.
Cotação: Excelente.

Um Lixo Delicioso


É um pouco estranho falarmos de um gênero que é odiado por uns e amados por outros. Claro que os amantes desse gênero, conseguem enxergar algum tipo de arte contra-cultural invertida em um produto feito a toque de caixa.
Já para os grandes gênios da sétima arte, essas obras são passivas de serem tachadas por underground, pornográfica e...LIXO!!!
Mas como toda regra tem sua exceção, dois grandes nomes do cinema pop atual são amantes desse gênero que era precisa confirmada nas antigas matinês dos cinemas mambembes de subúrbio dos anos setenta. São eles: Quentin Tarantino e Robert Rodriguez.
Como se sabe, a mente insana desses dois, foram capazes de criar pérolas do cinema atual como "Kill Bill" (Tarantino) e "Sin City" (Rodriguez).
A experiência de ver a "Planeta Terror" (Planet Terror, EUA, 2007), foi uma das coisas mais gostosas (no melhor sentido da palavra) de se assistir. Nascido de um projeto chamado "Grindhouse", que consistiam em dois filmes exibidos numa única sessão (o outro seria "Prova de Morte" de Tarantino), os dois cineastas queriam nos dar a sensação de estarmos diantes daquelas sessões dos citados cinemas de bairro que ofereciam sessões duplas numa única tarde a preços módicos.
Mas minha intenção nesse post é apenas avaliar o filme "Planeta Terror". Pois ainda não ví a segunda parte do projeto e lastimo profundamente porque sei que nunca irei vê-lo da forma que foi imaginada pelos diretores. Pois nos EUA onde esses tipos de sessões eram comuns, a recepção por parte do público foi amena... imagina aqui no Brasil?
O que temos aqui, é um autêntico filme de zumbis: depois de um acidente um cientista colecionador de testículos humanos (Naveen Andrews) e um militar durão (Bruce Willis super canastrão), um gás venenoso é liberado sobre uma cidade do interior do Texas. O produto provoca queimaduras que aos poucos vão transformando os moradores da cidade em zumbis canibais. O resto do filme...os sobreviventes vão tentar sobreviver como podem ao ataque dos seres gosmentos. Até direito a metralhadora no lugar de uma perna amputada está valendo!!!
“Planeta Terror” é filho legítimo de Robert Rodriguez, exibindo visível fascinação pela cultura trash de excessos dos anos 1970 e caprichando nos excessos de violência gráfica (“Sin City”) e no humor bêbado (“Era uma Vez no México”) que caracterizam a obra anterior do diretor. O trabalho de edição favorece as seqüências de ação alucinadas, mas o cineasta não esquece de acrescentar piadas à mistura. Em determinada cena, por exemplo, um personagem foge de zumbis pilotando uma mini-moto que faz uma Scooter parecer um caminhão. Noutra, com ponta de luxo de Quentin Tarantino, há quantidade suficiente de gosma e sangue falso para encher uma piscina olímpica. Eca!
Detalhe também para o tratamento digital que Rodriguez deu ao filme, fazendo-o parece um produto antigo, cheio de arranhões na imagem e falhas no som.
Cotação: Bom

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Viagem à Loucura


Muitos cineastas são lembrados por aquele filme que se tornou um ícone na sua carreira, sendo ela uma obra-prima ou não. No caso de Martin Scorcese, o seu filme síntese, é sobre um ex-combatente do Vietnã. Um sujeito solitário e entediado com sua vida monótona, que passas as suas noites de insônia trabalhando como taxista.
"Taxi Driver" (Taxi Driver, EUA, 1976) é o ápice na carreira de Scorcese. Pode até não ser o melhor ou omais bem acabado filme do diretor nova-iorquino, mas é com certeza o filme que deu uma larga extensão em sua carreira.
Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, "Taxi Driver" possui elementos de um cinema inovador. Definido pelo próprio diretor como uma mistura dos filmes de Godard com os de John Huston, Scorcese faz dessa sua obra uma crítica urbana com uma excelente narrativa social.
Travis Bickle (Robert De Niro) é o personagem em questão. Noite após noite, Travis vagueia com seu táxi pelos guetos de Nova York, cheios de prostitutas, negros, cafetões, drogados e assaltantes. Ao dia, Travis perambula como um zumbi por cinemas pornôs ou então vê o tempo passar confinado em seu apartamento.
Sua vida enfadonha começa a criar ares de revolta, quando ele conhece Betsy (Cybill Shepherd), uma funcionária de uma campanha para a eleição à presidência de um famoso senador. A partir daí, Travis começa com uma certa paixão pela moça, que faz os seus flertes estacionando seu táxi em frente ao comitê de onde Betsy trabalha e dando longos olhares de paquera.
Mas então, entra em cena a prostituta Iris Steensma (Jodie Foster) uma garota de doze anos, que vive a soberânia de Sport (Harvey Keitel), seu namorado e cafetão. Esses dois cruzamentos com diferentes figuras femininas, irão complicar ainda mais a mente do ex-soldado. O resultado final, é um banho de sangue de proporções dantescas.
Em um opinião muito pessoal, dificilmente Martin Scorcese atingiu tanto talento como fez em "Taxi Driver". Um filme bastante tenso e violento, que continua a cada dia mais atual do que quando feito em sua época. Os longos diálogos mostrados em cenas, só servem para sustentar ainda mais o clima de desprezo e angústia sentido pelo personagem de Travis Bickle. A bela fotografia com cores saturadas e muitas imagens de cenas noturnas com uma bela trilha de jazz de Bernard Herrmann, contribuem em muito para a trama. Poucos cineastas foram capazes de envolver tanto o público como Scorcese.
Cotação: Ótimo
P.S: Não vou comentar sobre o Oscar, pois só conseguí assistir a três dos filmes que estavam na lista dos indicados. Foram eles: "Sweeney Todd" (Crítica já postada), "Piaf", Ratatouille" e "O Caçador de Pipas" (Também já com a crítica postada). Dos indicados ao prêmio de melhor filme, ainda não ví nenhum. Mas, logicamente, quero ver "Onde Os Fracos Não Tem Vez" o mais rápido possível.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Vida de Ilusão


A primeira metade dos anos setenta, foi marcada por grandes movimentos sociais que incluiam: a liberação do feminismo e o protesto contra a guerra do Vietnã.
Mas também foi uma década marcada por grandes filmes que se tornaram clássicos instâtaneos, como exemplo de "O Poderoso Chefão" de Francis Ford Coppola.
Muitos jovens cineastas também viriam a surgir nesse período, influênciado pela onda chamada de "Nova Hollywood". Um desses nomes mais destacados, viria a ser o de Peter Bogdanovich. Promissor cineasta que em mil novescentos e setenta e um, encantava o mundo com o seu "A Última Sessão de Cinema".
Dois anos depois, Peter viria a realizar uma nostálgica comédia ambientada duranto o período da grande depressão.
"Lua de Papel"(Paper Moon, EUA, 1973), situado no ano de mil novescentos e trinta e cinco, tem como principal atrativo, os dois carismáticos personagens. Ryan O'Neal e Tatum O'Neal, pai e filha na vida real, fazem os personagens de Moses Pray e Addie.
Moses (Ryan O'Neal) faz um vigarista na época da lei seca, que viaja vendendo bíblias a víuvas. Addie (Tatum O'Neal) é uma orfã (fumante) de nove anos, que após a morte de sua mãe, é entregue aos cuidados de Moses, que recebe a incubência para a menina do Kansas até o Missouri.
Moses odeia essa idéia e faz de tudo para se livrar de Addie o mais rápido possível. Só que ele logo via descobrir, que a garota é tão astuta quanto ele.
O grandes méritos do filmes, são: a linda interpretação de Tatum O'Neal, que a fez receber um Oscar de atriz coadjuvante e também ser a mais jovem a ganhar o prêmio. A eloquente fotografia em preto e branco do húngaro Láslo Kovács, que aceitou a sugestão de Orson Welles para utilizar filtros vermelhos, fazendo com que eles aumentassem os contrastes e abrindo largos pontos de luz branca nos rostos dos personagens. A direção de Peter Bogdanovich, que confia no elenco e deixa os atores quase que a vontade. Fazendo assim, a química entre Ryan e Tatum ser perfeita.
Uma comédia em tom de farsa, uma bela mistura de "O Garoto" com "Bonnie e Clyde".
Pena que pai e filha nunca mais viriam a trabalhar juntos novamente. Tatum nunca mais viria a conseguir outro grande papel no cinema e seu temperamento explosivo, fez com que pai e filha brigassem e passassem anos sem se falar. Fica então a lembrança.
Cotação: Bom

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Um Elefante Que Incomoda Muita Gente


Estranho não só pelo título. Mesmo tendo levado a Palma de Ouro em Cannes em dois mil e três, o mesmo não consegue escapar dessa estígma de um filme lento e aparentemente vazio.
O universo da juventude norte-americana tratada por Gus Van Sant, é encarregado dessa estranha sensação dentro de um filme com apenas oitenta minutos, mas que parece ocupar quase quatro horas de projeção. A vida desses jovens é tão vazia e vagarosa quanto o filme, que é talvez um dos mais singulares trabalhos cinematográficos feito pela indústria do cinema.
"Elefante" (Elephant, EUA, 2003), é um retrato vivo da obsessão dos jovens pela violência. Diga-se de passagem que o argumento do filme foi inspirado no massacre da escola Columbine em abril de mil novescentos e noventa e nove. Onde os jovens Erick Harris e Dyla Klebold, entraram na instituição de ensino e saíram atirando contra professores e alunos.
O mesmo tema serviu também como base para o ótimo documentário "Tiros em Columbine", de Michael Moore.
O tema aqui, é tratado pelo diretor como uma releitura do fato. Não seguindo de fato a risca de como tudo aconteceu ou dando os nomes reais aos personagens do filme, nem a escola e muito menos a cidade onde realmente tudo aconteceu.
A intenção de Gus Van Sant, era de mostrar que o que aconteceu em Columbine, poderia acontecer em qualquer outro local.
Em quase todo o filme, somos meros espectadores que observamos de perto o dia a dia de uma escola comum. Onde todos os alunos assistem aulas, entram e saem de salas, passeam por corredores, conversam um com os outros, namoram, marcam encontro...Enfim, um verdadeiro tour "colegial" por dentro dos sentimentos de cada um. Tudo muito bem acompanhado pelo excelente trabalho de Stand-Cam que em muitos momentos, nos faz lembrar de "O Iluminado" de Kubrick.
Algumas cenas são repetidas no filme em ângulos diferentes a cada vez. O que faz termos outras pespectivas de cada personagem.
O filme atira para todos os lados, fazendo com quê não consiga vizualizar um alvo central e encaixar a trama de uma forma redonda. Mas mesmo assim, possui uma estranha emoção que de um maneira muito particular (pelo menos pra mim), faça com que temos a sensação de que estamos sendo atinjidos por um peso de dez toneladas. Algo que talvez faça justiça ao nome do animal que dá título ao filme.
Cotação: Bom

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Está Chegando a Hora!!


Domingo dia 24/02, é o dia mais esperado para os cinéfilos. Será a noite da maior festa do cinema, a entrega do Oscar.
Confesso que estou muito surpreso com os filmes indicados a categoria de melhor filme. Dois deles, são de diretores com muito prestígio e com filmes exibidos em Cannes e outros festivais importantes. É o caso de "Onde os Fracos Não Tem Vez" dos irmão Coen (o meu favorito) e "Sangue Negro" de Paul Thomas Anderson.
A supresa para alguns também, foi para a não indicação de "O Ano em Que Meus Pais Sairam de Férias". Filme que particularmente não me encheu muito a vista, mas que teria grandes chances de sair vencedor esse ano.
No mais, é só esperarmos pela noite do domingo e conferirmos tudo. Hoje meu dia foi puxado e não vou postar nenhuma crítica de filme aqui no blog. Espero poder fazer isso no final de semana!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Pérola Americana



É difícil no mundo atual, alguém que não tenha visto ou pelo menos ter ouvido falar em Woody Allen. Aquele sujeito baixinho, de cabelos alaranjados com grossos óculos pretos...que quase sempre atua em seus próprios filmes, fazendo o seu alter-ego.

Um sujeito cínico, hipocondríaco e mais emotivo do que emocional. Mas acima de tudo, um romântico assumido.

Por isso mesmo, gerou "A Rosa Púrpura do Cairo" (The Purple Rose of Cairo,EUA,1985). Que na minha opinião, ao lado de "Cantando na Chuva" e "Cinema Paradiso", é uma das mais belas e autêntica declaração de amor ao cinema.

O filme recebeu uma indicação ao Oscar de melhor roteiro e logo caiu no gosto popular, por falar da paixão entre fãs de cinema, para com os filmes projetados na telona. Pois o que vai se desenrolar na trama, é a paixão do protagonista de um filme por uma espectadora que pula da tela para conhecê-la.

Cecília (Mia Farrow, esposa de Allen na época), é uma garçonete da Nova Jersey dos anos trinta. Uma mulher de vida monótona, infeliz no seu casamento com o bruto Monk (Danny Aiello). Cecília passa os dias sonhando acordada no trabalho, com os filmes que viu no cinema de bairro e vez por outra apanha do marido. Sua fuga para essa dura realidade, é o próprio cinema em sí. Algo que na realidade não é muito diferente. Pois, quantas vezes não nos escondemos naquela sala escura para usarmos como uma válvula de escape dos problemas diários?

Cecília é apaixonada por filmes de amor, algo na qual ela sonha em ver na realidade, um romantismo lírico como o dos filmes de sua época. E é isso que vai acontecer com Cecília e o fugido explorador do filme Tom Baxter (Jeff Daniels).

"A Rosa Púrpura do Cairo" funciona mais do que uma comédia, é uma fábula maravilhosa, algo como um conto de fadas de Hollywood. O que ajuda a tudo isso, é que Woody Allen foge daqueles temas mais intelectuais de suas tramas, fazendo o filme deslizar com leveza diante dos nossos olhos, tornado-o num passatempo para todos aqueles que gostam de comédias e principalmente, aos fãs da sétima arte.

Um filme que enche a boca de sorriso, os olhos de lágrimas e o coração de esperança.

Cotação: Excelente

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Universo Bizarro


Se há um cineasta mais controverso em Hollywood que filma esquisitícies aparentemente sem nexo na narrativa, seu nome é David Lynch.
Mais do que um diretor de cinema, Lynch é um artista que se utiliza da sétima arte como um canal para sua expressão. Nada mais do que se esperar de um jovem graduado na Acadêmia de Belas Artes da Pensilvânia, onde aprendeu a pintar, fotografar, esculpir e desenhar.

Sua aproximação com o cinema se deu numa experiência que teve quando, ao observar um de seus quadros, ouvi o vento soprar, e era como se a folhagem na pintura estivesse se movendo. Percebendo a maior limitação das artes plásticas (a imobilidade), Lynch decidiu incluir movimento em seus quadros, e fez seu primeiro curta de animação, Six Figures Getting Sick (1966), onde seis cabeças esculpidas por ele aparecem vomitando 6 vezes seguidas. Ele ainda viria a fazer mais dois curtas, The Alphabet (1968) e The Grandmother (1970), antes de se mudar para Los Angeles.

Seu primeiro longa veio em mil novescentos e setenta e sete e se chamava 'Eraserhead'. Três anos depois, viria a realizar o clássico 'O Homem Elefante'. E assim, conquistando sua primeira indicação para o Oscar de melhor diretor.

Instantaneamente, Lynch chamou a atenção dos críticos, que o passaram a ver como um dos mais promissores nome do cinema.
Uma de suas obras mais controversas e pertubadoras, é o estranho suspense 'Veludo Azul'(Blue Velver, EUA, 1986). No filme, somos levados a uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos, onde seremos apresentados ao jovem Jeffrey (Kyle MacLachlan), que volta a sua cidade natal após passar um tempo fora. O retorno de Jeffrey é causado pela hospitalização do seu pai, que teve um estranho ataque de dores enquanto aguava o jardim da sua casa.

Numa de suas caminhadas pelas florestas onde costumava brincar quando criança, Jeffrey descobre uma orelha humana jogada no terreno. O jovem logo desconfia de que algo de errado aconteceu e leva o caso a polícia.
Jeffrey logo fica sabendo por Sandy (Laura Dern), filha do xerife Williams, que existe algo de misterioso envlovendo Dorothy Vallens (Isabella Rossellini), uma pertubada cantora de night club local. O jovem rapaz então decide bancar uma de abelhudo e acaba por descobrir que Dorothy Vallens teve seu filho e seu marido sequestrados por Frank (Dennis Hopper numa assustadora perfomance), um sádico que a mantem sobre vigilância constante e que na qual costuma a espanca-la e abusar dela sexualmente.
Jeffrey logo é seduzido por Dorothy, que numa de suas visitas a seu apartamento, acaba topando com Frank que o faz mergulhar num univeso de perversidade e depravação que parece não ter mais fim. Tudo isso focado brilhantemente pelas lentes de Lynch que faz de "Veludo Azul" um belo e perturbador sonho de imagens e sons indescritíveis. Um verdadeiro mergulho nas entranhas de uma decadente sociedade norte-americana, onde nem tudo é o que parece ser. Algo constantemente apresentado em suas obras.
A bela trilha sonora de Angelo Badalamenti ajuda a construir o clima surrealista da trama, onde não faltam referências a aquelas tramas dos anos cinquenta, principalmente de "A Caldeira do Diabo", que também se passa numa aparentemente pacata cidade interiorana onde muitas supresas são reveladas.
David Lynch ao meu ver, gosta muito de colocar em suas tramas, cidades afastadas das grandes civilizações. Algo que sempre nos dá aquela sensação de isolamento e opressão, algo como um pesadelo da qual queremos acordar e não conseguimos. Fato que ele viria a repetir em "Twin Peaks".
Cotação: Ótimo.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

O Urso de Ouro é Nosso!!

Vitória para o Brasil após dez anos sem levar nenhum prêmio no Festival de Cinema de Berlim, ou a famosa Berlinale como é conhecido.
O último foi para "Central do Brasil" de Walter Salles em mil novescento e noventa e oito.

O reconhecimento enxe de orgulho os brasileiros que fizeram filas gigantes nas portas dos cinemas ou até mesmo comprou aquele dvd pirata para conferir a obra de José Padilha no ano passado. O que acarretou numa das maiores bilheterias do cinema nacional.

A premiação causou surpresa pela recepção negativa que o filme recebeu por parte de alumas mídias internacionais como a revista "Variety" que chamou a obra de "facista".

O importante é que "Tropa de Elite" desbancou filmes como "Sangue Negro" de P.T. Anderson que recebeu oito indicações ao Oscar desse ano.

"É difícil expressar sentimentos em qualquer língua. Costa-Gavras é um herói para todos na América Latina, por todos os filmes que fez", disse o diretor brasileiro ao receber o prêmio das mãos do presidente do júri, o diretor franco-grego Constantin Costa-Gavras.

Na sexta-feira dia 15/02, o diretor havia debatido contra ás críticas internacionas afirmando que, não é pelo fato de gostar ou não de "Tropa de Elite", e sim pela polêmica que o filme tenha causado.

Look Out!


Muita gente comentou comigo que ficou interessada em conhecer o filme "A Tortura do Medo". Confesso que realmente é um filme difícil de ser encontrado em locadoras e olha que nem na Classic Vídeo no bairro da Torre tem esse filme no seu acervo, apesar de já ter sido lançado no mercado nacional de vídeo.


Quem quiser assiti-lo, pode baixar pela internet no site: http://www.makingoff.org/ ou comprar uma cópia do filme na Livraria Cultura.


Mas só para deixar ainda mais aquele gostinho de curiosidade, coloquei a disposição um link para acessar no youtube um trecho do filme que é um dos melhores momentos do longa. Nele, Mark Lewis prepara o cenário para fazer mais uma de suas vítimas.
Divirtam-se!!



domingo, 17 de fevereiro de 2008

Voyuerismo Assassino


Maldito. Esse foi o termo utilizado para descrever o filme "A Tortura do Medo"(Peeping Tom, Inglaterra,1960) na época do seu lançamento. A obra chocou os críticos e a socieade inglesa da época, além de colocar um ponto final na carreira do diretor Michael Powell.

Tão violenta foi a campanha feita contra esse filme que o estúdio chegou a tira-lo de circulação, fazendo o mesmo cair no esquecimento. Mas nem tudo estava perdido.
As poucas pessoas que tiveram acesso a algumas sessões privadas desta magnífica obra do suspense, fizeram de tudo para que o filme não ficasse esqueçido. Uma delas foi Martin Scorcese que chegou a adquirir uma cópia do filme e o restaurou, colocando-o em circulção pelo mercado de vídeo.

Muita gente se pergunta o motivo de tanta revoltar para com esse filme. A resposta foi analisada num excelente documentário feito pela Tv inglesa, onde a obra é analisada minuciosamente por estudiosos e críticos de cinema que muito tempo depois, se redimiram e viram o quanto estavam errado. A maior autoridade no filme, é a pesquisadora britânica Laura Mulvey, que formulou uma teoria bastante lúcida.
Para Mulvey, o filme foi o primeiro a quebrar a barreira existente entre os filmes e a platéia: os espectadores são testemunhas, verdadeiros voyeurs daquilo que está sendo projetado na tela. Todos alí espiando a vida alheia das pessoas da trama ainda que de uma forma não autorizada. E ainda mais, fingindo que não estamos fazendo nada de errado.

Isso explica de uma maneira inteligente, o ódio repulsivo contra o filme. Talvez também, pelo fato de Michael Powell forçar o espectador a se identificar com um psicopata. Pois o que o personagem central da trama faz, é observar a vida dos outros e captar tudo com sua câmera. É a mesma coisa que o cinesta faz e o público paga pra ver.

Mark Lewis (Carl Bohem) é um jovem e solitário fotógrafo que trabalha como assistente de câmera para um estúdio de cinema e nas horas vagas, faz um extra fotografando garotas semi-nuas para revistas masculinas. Prazeroso isso? Não para Mark. O seu maior prazer no entanto, é assassinar mulheres e fima-las no momento em que morrem, para depois ficar vendo e revendo essas imagens em seu apartamento e sentir um certo prazer por isso.
Mas o que faria esse personagem agir desse maneira? A pergunta é logo respondida ainda nos primeiros quinze minutos de projeção.

Mark quando criança, servia de cobaia para os experimentos de seu pai que era um famoso cientista e que estava desenvolvendo um estudo sobre o medo. O cientista submetia o filho a brincadeiras de dar sustos, como jogar largatixas sobre o garoto enquanto ele dormia e filmava tudo. A mais terrível, foi fazer o menino encarar o cadáver da própria mãe.

Mark cresceu tendo sua vida observada pelas lentes das câmeras. Por isso é normal para ele agir desse maneira, sempre empunhando uma câmera que ele diz ser para um misterioso documentário. O fato dele cometer esses assassinatos, é o facínio dele criado pelo medo. Pois nos momentos em que suas vítimas sabem que serão mortas, esbanjam reações de histéria total e tudo é captado pelas lentes de Mark. Até a arma utilizada por Mark, é a sua própria câmera que possui um punhal embutido numa das hastes do tripê. É como se esse objeto fosse uma extenção do seu pênis ou até mesmo aquele brinquedo que ele nunca teve na infância.

Uma das personagens da trama é a sua vizinha Helen (Anna Massey), moça solteira que mora com a mãe cega e que parece conhecer o mistério que cerca a vida de Mark. Helen é a única que tenta uma aproximação a mais com Mark e chega até a tomar conhecimento do que Mark passava na infância. Ela será a espectadora das bizarras imagens feitas pelo pai de Mark e também irá tomar conhecimento do seu estranho fetiche.

O filme foi lançado recentemente em dvd no Brasil. Pode ser achado pelo selo da Silver Screen Collection a um custo de R$ 42,90. Eu tenho uma cópia importada que conseguí recentemente e confesso que é impossível assistir a esse filme uma única vez. Tamanho é o seu magnetismo e não é a toa que a revista Empire o considere um dos mais assustadore de todos os tempos. Mesmo que hoje em dia não assuste a mais ninguém.

Nem Alfred Hitchcock foi tão ousado.



Cotação: Ótimo

Ópera Sangrenta

Tim Burton é um nome que eu guardo na memória desde o ano de mil novescentos e oitenta e nove. Ano em que o primeiro "Batman" foi lançado nos cinemas, fazendo sugir a Batmania.
Lembro que eu fui infectado por essa coqueluche daquela época e tinha tudo o que era merchandaising do filme. De adesivos até a uma concorrido disco de vinil com a trilha sonora do filme composta por Prince, que foi prometida de presente pelos meus pais, caso eu decorasse toda a tabuada em um final de semana inteiro.
Decorada a tabuada, conquistei de prêmio aquele bolachão preto que tinha estampado na capa aquele morcegão com asas abertas sob um fundo amarelo ouro. Na contra-capa, tinha-se abaixo a ficha técnica do filme e o nome do diretor estava bem destacado.

Até aquele momento, o único Tim que eu conhecia, era Tim Maia. Mas logo guardei aquele nome, pois sabia que esse diretor teria uma carreira promissora cheia de cartas na manga.
Por um lado eu estava um pouco enganado. Tim Burton teve uma carreira de altos e baixos, mais baixos do que altos, com obras muito fracas como "Peixe Grande" e "A Fantástica Fábrica de Chocolate".
Mas heis que agora ele volta com aquilo que o fez ficar conhecido como um diretor gótico, onde sempre se deixou levar pela paixão do tom macabro em suas obras (A Noiva Cadáver, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça). "Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet" (Sweeney Todd - The Demon Barber of Fleet Street, EUA, 2007) é ao meu ver uma resposta feroz e ousada de que Tim Burton sabe o que quer, mesmo fazendo um trabalho por encomenda.
Um filme sagrento e maravilhosamente estranho para ser feito por um grande estúdio, já que ele é nada mais nada menos do que um grande espetáculo "gran-guinol", famosos estilo de ópera que mistura sangue e humor.

O diretor aqui se esforça muito e consegue contar com esmero a estória de Benjamin Barker, vivido por Johnyy Deep em sua sexta parceria com Burton. Benjamin é um típico barbeiro inglês que vive com sua esposa e filha. A beleza da sua esposa, desperta o interesse do juiz Turpin (Alan Rickman em perfeita interpretação). Que faz com que o pobre barbeiro seja preso e enviado a Austrália, tudo para que o juíz possa se aproveitar da esposa e filha de Benjamin.
Quinze anos depois, Benjamin Barker retorna a Londres com a identidade de Sweeney Todd. Seu retorno traz consigo o gosto voraz da vigança por aquele que destruiu a sua vida.

Chegando a sua antiga casa, Sweeney (Benjamin) se depara com o local que agora serve como a loja de tortas da Sra. Lovet (Helena Boham Carter). Suas tortas são conhecidas como as piores da cidade. Mas essa personagem vai servir de ligação entre Sweeney e o seu triste passado. Pois a Sra. Lovett é a única que sabe do paradeiro da sua esposa e filha Johanna, que agora vive sob a tutela do juíz Tupin.
Sweeney então decide reabrir seu salão para servir como matadouro (no melhor sentido da palavra) para suas vítimas.
Depois de um desfio em praça pública com o melhor barbeiro do local, o italiano Adolfo Pirelli (Sacha Baron Cohen em rápida e magistral aparição), Sweeney logo ganha a fama de todos. Inclusive a do empregado do juíz, na qual sem saber faz com quê o seu patrão esteja caindo nas garras daquele que lhe jurou a morte.
Johanna é o retrato vivo da inocência perdida, já que são apresentados alguns momentos em que ela é observada pelo juíz através de um buraco feito na parede do seu quarto. O que dá aquela idéia de que ela sofria abusos de pedofília por parte de juíz e na qual também o mesmo decide se casar com a frágil garota. Fazendo assim, surgir um triângulo amoroso entre o juíz e o marinheiro Anthony (Jamie Campbell Bower), que foi responsável pelo resgate de Sweeney no mar após sua misteriosa fuga da prisão.

O que vai se denrolar a partir daí, é um festival de violência gráfica que pode afastar as tíetes que vão apenas conferir um pálido e assustador Johnny Depp soltar a voz nas músicas compostas por Stephen Sondheim. E ele consegue muito bem, mesmo que sua voz não esteja a altura exigida pelos grandes palcos da Broadway, onde o musical foi encenado pela primeira vez no ano de mil novescentos e setenta e nove.
Mas quem já teve a oportunidade de ler algo sobre essa famosa lenda urbana inglesa ou até mesmo ter assistido a montagem desse musical em alguma parte do mundo, sabe que o filme fala de uma sangrenta estória de amor. Isso mesmo! Toda essa violência que enxarca a tela com sangue é uma linda estória de amor e vingança de um personagem que vive sendo assombrado por um passado amargo. E quem se beneficia disso tudo é a Sra. Lovett, que entra como cúmplice dos assassinatos cometidos pelo barbeiro serial killer para ganhar fama com suas tortas. O que ambos fazem é utilizar a carne humana dos cadáveres para usarem como recheio para as tortas que logo virão a ser a sensação de Londres.

Além de toda esse banho de sangue, outra coisa também pode vir a incomodar algumas pessoas. Noventa por cento dos diálogos do filme são cantados. Mas isso não faz de modo algum com que o filme torne-se chato ou enfadonho. Mesmo que não tenha aquele números musicais memoráveis e músicas sútis quase que faladas, isso pode afastar aqueles que detestam ver atores cantarolando em cena.
Mas quem conseguir se segurar um pouquinho, verá que estará diante de um produto cinematográfico perto de uma obra-prima memorável. Vale ressaltar que a direção de arte criada pelo italiano Dante Ferreti (colaborador de Fellini por muitos anos e responsável também pela direção de arte de "Gangues de Nova York), cria uma Londres do século dezenove escura e nublada. Onde nos dar a impressão de que em qualquer esquina ou beco sairá um vampiro ou até mesmo um lobisomem. Os figurinos de Collen Atwood ajudam a compor o clima de decadência em grande estilo, junto com a fotografia de Emmanuel Lubezk que cria excelentes contrastes entre o claro e o escuro, nos dando a impressão de um pintura.
Os arranjos musicais feitos por Jonathan Tunick(parceiro de Sonhein de muitos anos), ajuda a dar aquela beleza musical presente nas principáis óperas, com lindos arranjos de cordas.

Enfim, todo esse background serve para abrilhantar ainda mais esse visceral banho de sangue operístico. E assim como aquele disco, que era fruto de uma obra desse gênial diretor, que ganhei como prêmio naquele final de semana do ano de oitenta e nove...Me sinto mais uma vez premiado com essa outra obra. Bravo, Tim Burton!


Cotação: Ótimo

Pipas Rasgadas


O período de momo serve para muita gente cair na bebedeira e na folia. Aproveitando a ausência de algumas pessoas que esqueçem de seus afazeres nessa época para brincarem o carnaval, alguns complexos de cinema aproveitam para fazerem preços promocionais dos seus ingressos e atrair aqueles que preferem se resguardar dessa festa. E como sou uma dessas pessoas que prefere um bom filme a cair no compasso do frevo, tirei uma tarde para ir assistir ao tão comentado "O Caçador de Pipas" (The Kite Runner, EUA,2007), na qual é adaptado do homônimo livro do escritor afegão Khaled Hosseini e considerado um best seller, tendo vendido milhões de exemplares pelo mundo.
O tom épico no filme é plausível por se tratar de uma fábula humanista, onde acompanhamos o dia a dia do garoto Amir; Filho de um comerciante local de muitas posses monetárias.
A primeira parte do longa se passa no final dos anos setenta, e é onde será exposta as aventuras infanto-juvenis do personagem central ao lado do seu fiél companheiro.
É onde entram as magníficas sequências das brigas das pipas, e nos trás aquela doce sensação de nostalgia por uma brincadeira que encontra-se praticamente extinta nos dias atuais. Essas sequências servem para mostrar o quanto um dia o Afeganistão teve os seus dias de paz, antes que as tropas soviéticas cheguem ao país e façam o jovem garoto se refugiar com o seu pai nas terras do tio Sam.
O filme começa no ano dois mil, com o Amir já adulto e morando na Califórnia, recebendo um telefonema para que volte a sua terra natal, devido a doença do melhor amigo do seu pai. Amir automaticamente volta as suas lembranças de infância e descobrimos que ele traz consigo a amarga lembrança de ter testemunhado um abuso sexual com o filho do caseiro, seu melhor amigo.
Até aí o filme teria tudo para ser um belo retrato da vida humana, já que temos nomes de peso na produção: Sam Mendes (diretor de "Beleza Americana") atua como um dos produtores executivos e o respeitado romancista David Benioff, responsável pelo roteiro do filme que ainda conta com uma linda trilha sonora indicada ao Oscar (sua única indicação) composta pelo espanhol Alberto Iglesias e a excelente fotografia de Marc Foster que consegue capturar toda a essência da competição de pipas pelas crianças, assim como as empoeiradas estradas desérticas do Afeganistão.
Se não fosse pelo segunda metade do filme que abusa de clichês lacrimosos e nos força a termos uma visão mais humanista do Oriente Médio. Grande preocupação que o cinema norte-americano tem desde o onze de setembro. Mas mesmo assim ainda se torna um olhar muito raso, onde deveras teria chances de se ter um estudo mais aprofundado da cultura afeganistã.
No mais, referências a "Lawrence da Arábia" de David Lean estão expostas nas cenas em que são mostradas as paisagens desérticas do Afeganistão e a outros filmes de aventura como aqueles dos anos oitenta, também serviram para serem homenageados sutilmente.
Mas mesmo assim, o filme não consegue empolgar e me fica a pergunta de o por que esse livro ser um dos mais vendidos do mundo atualmente. Não querendo comparar um pelo outro, até porque não cheguei a ler o livro, mas quem leu diz que o filme está bem adaptado. E sim, pelo fato de se tratar de uma estória que já nasceu para ser levada aos cinemas e ter aquele gosto enjoado de Oscar.
Cotação: Fraco